Em uma linha de produção de alimentos, bebidas ou medicamentos, o detector de metais é a última barreira entre um fragmento metálico e o consumidor. Mas ter o equipamento instalado não basta: é preciso comprovar que ele está detectando e rejeitando contaminantes no nível de sensibilidade definido para o seu produto. É para isso que serve a certificação.
Neste artigo, explicamos o que é a certificação, o que as normas de segurança de alimentos pedem, o que é avaliado, o que vem no relatório e com que frequência fazer.
O que é a certificação de detector de metais
A certificação é uma avaliação técnica do desempenho do detector, feita com o equipamento em operação. Corpos de prova padrão, de metal ferroso, não ferroso e aço inoxidável, passam pela abertura do detector, com e sem produto, e os resultados são comparados com os critérios definidos para a linha.
Ao final, a empresa recebe um relatório técnico com o registro de cada teste e um certificado que comprova o desempenho do equipamento naquela data.
Certificação, teste de rotina e calibração: qual a diferença
Os três termos aparecem juntos, mas cumprem papéis diferentes:
- Teste de rotina: verificação rápida feita pela própria equipe da fábrica, no início do turno, nas trocas de produto e após paradas. Confirma que o detector continua rejeitando os corpos de prova. Veja como funciona no artigo sobre o teste de sensibilidade.
- Calibração e ajuste: intervenção técnica para recuperar ou otimizar o desempenho, como o aprendizado do efeito do produto, o ajuste de fase e de sensibilidade e a correção de interferências.
- Certificação: avaliação técnica independente e documentada, que comprova o desempenho do sistema completo (detecção e rejeição) e gera evidências para auditorias.
Na prática, eles se complementam: a certificação valida o sistema, os testes de rotina mostram que ele continua funcionando entre uma certificação e outra, e a calibração entra quando algo precisa ser corrigido.
Por que certificar o detector de metais
- Segurança do consumidor e da marca: um contaminante metálico que passa pela linha pode gerar recolhimento de produtos e prejuízos à reputação.
- Auditorias e certificações: programas de segurança de alimentos e auditorias de clientes costumam exigir evidências de que o sistema de detecção funciona.
- Rastreabilidade: o histórico de certificações mostra a evolução de cada equipamento e facilita a investigação de qualquer ocorrência.
- Prevenção de falhas: os testes ajudam a identificar perda de sensibilidade, problemas no sistema de rejeição ou ajustes inadequados antes que virem um problema.
O que as normas de segurança de alimentos pedem
Nenhuma das principais normas define um único tamanho de esfera para todas as fábricas. O que elas pedem é que a empresa defina os critérios com base na análise de riscos, verifique o equipamento com frequência e mantenha registros. Em resumo:
- HACCP (APPCC): a detecção de metais costuma ser tratada como um ponto crítico de controle (PCC). Isso exige limites críticos definidos, monitoramento, ações corretivas e registros.
- BRCGS Food Safety: pede equipamentos de detecção de corpos estranhos com base em risco, testes periódicos com corpos de prova (inclusive passando junto com o produto), verificação do sistema de rejeição e procedimentos para quando o teste falha.
- FSSC 22000: baseada na ISO 22000 e nos programas de pré-requisitos, exige controles para contaminação física e evidência de que os equipamentos de monitoramento funcionam como esperado.
- IFS Food: pede que os equipamentos de detecção sejam escolhidos e mantidos conforme o risco, com verificações documentadas e ações definidas para falhas.
- Legislação brasileira: as Boas Práticas de Fabricação e a RDC 623/2022 da Anvisa, que trata de matérias estranhas em alimentos, reforçam a obrigação de prevenir a presença de fragmentos metálicos no produto final.
Em todas elas, a certificação técnica periódica é uma das formas mais objetivas de mostrar ao auditor que o detector cumpre o que foi definido.
O que é avaliado
Durante a certificação, verificamos:
- a sensibilidade de detecção para cada tipo de metal, nos tamanhos definidos para o produto;
- a detecção nas diferentes posições da abertura do detector, incluindo o centro, que costuma ser o ponto de menor sensibilidade;
- os testes com o corpo de prova passando junto com o produto, nas condições reais da linha;
- o funcionamento do sistema de rejeição, garantindo que o item contaminado seja retirado da linha;
- os dispositivos de segurança, quando existem, como confirmação de rejeição, alarme de coletor cheio e falha de ar comprimido;
- as condições gerais do equipamento e do transportador.

O que vem no relatório de certificação
Um bom relatório precisa permitir que qualquer auditor entenda o que foi testado e qual foi o resultado. Ele normalmente traz:
- identificação do equipamento: modelo, número de série, linha e local de instalação;
- produto testado e dimensões da abertura;
- corpos de prova usados, com tipo de metal, diâmetro e rastreabilidade;
- resultado de cada teste, por metal e por posição, com detecção e rejeição;
- parâmetros de configuração encontrados no equipamento;
- não conformidades, ajustes realizados e recomendações;
- data, responsável técnico e data sugerida para a próxima certificação.
Guarde os relatórios em sequência: o histórico é tão importante quanto o último certificado.
Com que frequência certificar
A periodicidade depende da análise de riscos do seu processo e das exigências dos seus clientes e certificadoras. Em geral, recomenda-se uma certificação técnica completa ao menos uma vez por ano, além das verificações de rotina com testes de sensibilidade feitas pela própria equipe, como no início de cada turno e nas trocas de produto.
Também vale antecipar a certificação depois de manutenção corretiva, mudança de produto ou embalagem, mudança de local do equipamento ou quando os testes de rotina começam a falhar.
Como se preparar para a certificação
- Separe amostras dos produtos que passam pelo detector, nas embalagens usadas na linha.
- Tenha em mãos os critérios de sensibilidade definidos no seu plano HACCP ou exigidos pelo cliente.
- Reúna os relatórios anteriores e os registros dos testes de rotina.
- Combine uma janela com a produção, já que parte dos testes é feita com a linha em funcionamento.
Perguntas frequentes
A certificação é obrigatória?
Não há uma lei que exija um certificado específico para todo detector de metais. Mas, na prática, ela é cobrada por auditorias de segurança de alimentos (BRCGS, FSSC 22000, IFS), por clientes e pelo próprio plano HACCP, que exige comprovar que o controle funciona.
Quanto tempo leva?
Depende do número de equipamentos e de produtos testados. Um detector com um produto costuma ser certificado em poucas horas, em geral sem parar a produção por muito tempo.
Quais tamanhos de corpo de prova são usados?
Os definidos para o seu produto, com base na análise de riscos, no tipo de produto e embalagem e no tamanho da abertura do detector. Se a empresa ainda não tem esses critérios, a certificação também ajuda a definir valores realistas para cada linha.
E se o detector for reprovado?
O relatório registra a falha e o que a causou. Em muitos casos, um ajuste ou uma manutenção resolve no próprio atendimento, e o equipamento é testado de novo. A produção do período desde o último teste aprovado deve ser avaliada conforme os procedimentos da empresa.
A certificação vale para qualquer marca de detector?
Sim. O método de teste é o mesmo, independente do fabricante, e o relatório segue o mesmo padrão para todos os equipamentos da fábrica.
Como a RCL pode ajudar
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